“Quero a unimultiplicidade, onde cada homem é, sozinho, a casa da humanidade”... (Tom Zé)

Reconhecer e internalizar princípios éticos e morais exige de nós integridade. Precisamos nos ver como indivíduos inteiros. Os pensamentos, palavras e atos devem estar alinhados na direção de resultados eficazes para as relações que fazem parte da nossa vida.

Quando estamos incompletos, sentimo-nos divididos, em conflito com a nossa mente. Para que possamos apreciar a beleza da existência e das interações sociais, é preciso estar disponível, aberto em todos os sentidos e experimentando conforto interno. É exatamente nesse ponto que entram a ética, a moral e os valores: “termostatos” universais que regulam a temperatura interior, ou seja, os níveis de bem-estar, de tranquilidade que vivenciamos diariamente.

Todavia, a universalidade dos códigos de conduta não pressupõe que os padrões de comportamento sejam absolutos. Uma postura ética pode ser relativa em sua aplicabilidade, dependendo do contexto social em que se está inserido. Mas alguns conceitos básicos como liberdade, solidariedade, honestidade, entre outros, permeiam boa parte das sociedades, sendo, portanto, ideais universais.

Em geral, quando pensamos em Ética, costumamos delegar ao Estado ou à organização na qual trabalhamos a responsabilidade para ditar o caminho que devemos trilhar. Espera-se que o conjunto de normas, regulamentos e leis partam de cima como “ordens” que devemos cumprir. Entretanto, essa visão passiva de cidadania, na maioria das vezes, se torna um empecilho para que todos possam efetivamente colocar em prática os princípios e valores éticos. Por quê?

Porque ética não se impõe por lei ou qualquer norma obrigatória, mas pela vontade voluntária e íntima do próprio indivíduo. Além disso, os diversos normativos éticos que encontramos na Administração Pública (códigos de ética ou conduta) soam disciplinadores, às vezes autoritários, colocando os indivíduos em dúvida quanto às escolhas éticas que devem fazer.

 

Bússola - A fim de sanar esses questionamentos, precisamos compreender que os conceitos morais e éticos são essenciais para a vida comunitária. Eles são a bússola que guiam nossa conduta diária e podem ser resumidos em frases que conhecemos muito bem: trate o seu semelhante (e os diferentes também) como você gostaria de ser tratado; ou, a sua liberdade termina quando começa a do outro; ou ainda, como afirmou Tomás de Aquino: “A humanidade é proteger-nos mutualmente”.

A Ética é, portanto, um conjunto de valores e regras definidos por determinado grupo ou cultura, comum a todos, que traça como o ser humano deve se portar no meio social. É a ética que deve pautar nossas ações mais rotineiras, mesmo que não esteja expressa em códigos.

Os princípios éticos (respeito, dignidade da pessoa humana, paz, justiça) constituem os balizadores do comportamento humano saudável, englobando a moral como regra orientadora da postura individual para a vida em sociedade. A moral é fruto da cultura, da educação, da tradição e do cotidiano daquele grupo social. A ação do indivíduo deve estar sempre de acordo com o que foi pactuado (formal ou subjetivamente) pelo grupo. Portanto, o certo ou errado vai depender do contexto no qual o cidadão está inserido.

Tudo junto e misturado - Valor, moral, ética são conceitos que se mesclam e se complementam. Valores são também a base do comportamento humano, governando todas as suas decisões. São estados emocionais que reconhecemos como importantes, ainda que de modo inconsciente. Os valores dão sentido à nossa história. Explicam quem somos, como vemos o mundo, tornando nossos propósitos existenciais coerentes. O mesmo vale para os valores organizacionais: são eles que sustentam a missão institucional, guiando o corpo funcional para o alcance dos objetivos pretendidos.

Resumindo, Ética é um valor que transforma e conecta o indivíduo com o que é coletivo. A Ética parte do pressuposto do indivíduo como ser integral e holístico, aceitando as nuances únicas (só somos iguais se formos livres para ser diferentes) de seu comportamento na coletividade.

Valores morais e éticos bem assimilados são aqueles que internalizamos, que aplicamos espontaneamente, sem imposição ou obrigatoriedade. Quando vivenciamos a Ética, ela não é mais uma escolha, mas uma postura de vida. Quem absorve padrões de comportamento éticos acalma a mente, simplifica os conflitos internos e harmoniza o ambiente ao seu redor. A serenidade da alma torna possível a compreensão plena dos relacionamentos pessoais e profissionais.

Para você leitor, o comportamento meramente ético é uma garantia para o resultado coletivo?

Qual a importância da ética no seu ambiente de trabalho?

Texto: André Fachin e Sartre Gonçalves (STJ)
Revisão de texto: Luciana de Assunção (STJ)
Responsável pelo projeto: Seção de Aprimoramento de Competências Gerenciais (SAGER/STJ)
Arte: Murilo Maia Carvalho e Pedro Paulo Silva Sihuay (SEADI/STJ)
Ícones: FreePik

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