Se perguntarmos para os amigos e conhecidos se eles se consideram ansiosos, a maioria provavelmente dirá que sim. Preocupações, cansaço, noites mal dormidas são situações corriqueiras da vida moderna, consideradas até normais diante de desafios financeiros, profissionais, pessoais e familiares da atualidade.
O problema ou transtorno começa quando essas situações passam a atrapalhar as tarefas do dia a dia e o bem-estar, ou seja, os sintomas passam a ser os limites de uma vida com qualidade e funcionalidade. O nervosismo começa a ser exagerado, o sono fica escasso, os pensamentos passam a ser angustiantes e/ou fixos em algo, o medo impede de fazer o trabalho ou mesmo de sair de casa, entre outros.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS, 2017), 264 milhões de pessoas no mundo vivem com algum transtorno de ansiedade, e o Brasil é o país que tem o maior número de pessoas nessa condição – 18,6 milhões. Em 2017, a Secretaria de Previdência, do Ministério da Fazenda, publicou dados sobre adoecimento mental e concessão de benefícios por incapacidade laboral entre os anos de 2012 e 2016. Os resultados mostraram que reações ao “stress” grave e transtornos de adaptação, episódios depressivos e outros transtornos ansiosos causaram 79% dos afastamentos apresentados (Brasil, 2017). A ansiedade é também problema de saúde pública no nosso país.
Existem diferentes diagnósticos de ansiedade, porém o que mais importa é o sofrimento em lidar e estar diante de situação, emoção ou sentimento que anteriormente, não eram problemáticos (OMS, 2008; APA, 2014). Por exemplo: preocupação excessiva e recorrente de que algo acabe errado; entrar em uma festa ou em local cheio de pessoas e começar a achar que todos vão rir de você ou mesmo te rejeitar; de repente, achar que vai morrer e ter muito medo disso; sentir medo incontrolável diante de algo que não o justifique, como uma reunião de trabalho ou com os familiares.
Mesmo que, em determinados momentos, os sintomas estejam toleráveis, não descartam a necessidade de uma avaliação. Contextualizar o sofrimento que a ansiedade provoca é um passo muito importante nesse processo, já que o diagnóstico adequado da patologia, considerando gravidade, intensidade e comorbidade , melhora o tratamento.
Por outro lado, a partir da constatação dos sintomas, ou seja, do aumento das sensações de que as coisas estão ruins e que não está fácil aguentar o sofrimento, pode-se pedir ajuda. Essa constatação pode vir, inclusive, de alguém próximo, alguém que observa e que está preocupado com a saúde mental do outro. Nesse sentido, o psicólogo clínico pode ajudar a entender, a contextualizar esse sofrimento e apoiar na busca de mais assistência.
Os casos severos de ansiedade, quando não tratados adequadamente, podem ficar crônicos com o passar dos anos, diminuindo a possibilidade de remissão e até mesmo aumentando a probabilidade de se associar a outros transtornos mentais e comportamentais. Além de afetar a vida cotidiana, os relacionamentos sociais e as atividades laborais.
Você, servidor (a), que se identificou com as informações apresentadas e quer obter mais informações ou procurar ajuda, pode escrever para saude.mental@stj.jus.br. Um membro da equipe de saúde entrará em contato.
Brasil. Ministério da Fazenda. 1º Boletim quadrimestral sobre benefícios por incapacidade – Adoecimento mental e trabalho. 2017. Disponível em: http://sa.previdencia.gov.br/site/2017/04/1%C2%BA-boletim-quadrimestral.pdf
American Psychiatric Association (APA). Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais - DSM-5. tradução: Maria Inês Corrêa Nascimento et al. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.
DeSousa, D.A.; Moreno, A.L.; Gauer, G.; Manfro, G.G. e Koller, S.H. Revisão sistemática de instrumentos para avaliação de ansiedade na população brasileira. Avaliação Psicológica. 2013;12(3):397-410.
Organização Mundial da Saúde/OMS. CID-10 – Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde. São Paulo: Universidade de São Paulo; 2008.
Organização Mundial de Saúde/OMS. Depression and other common mental disorders: global health estimates. Geneva: OMS (WHO), 2017. Disponível em: http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/254610/1/WHO-MSD-MER-2017.2-eng.pdf
https://www.youtube.com/watch?v=S8-zfk9_lhg
https://www.youtube.com/watch?v=qwkaXMvcpnM
Texto: Seção de Assistência Psicossocial (SEAPS/SIS/STJ)
Responsável pelo projeto: Seção de Soluções em EaD e Desenho Instrucional (SEADI/ECORP/STJ)
Arte:Pedro Paulo Silva Sihuay (SEADI/ECORP/STJ)
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