O mês de setembro é dedicado ao esclarecimento e conscientização das pessoas sobre o suicídio. Por que falar sobre esse assunto? O suicídio é reconhecido como um problema de saúde pública, e a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que cerca de 1 milhão de pessoas morram a cada ano por essa causa. Além disso, para cada ato suicida efetivado podem ocorrer de 10 a 20 tentativas. Gostaríamos de convidar todos os colaboradores do STJ a pensarmos e agirmos juntos para prevenirmos o suicídio.

Nos últimos anos muitos esforços têm sido envidados para criar uma rede de cuidados para pessoas que precisam de apoio e ajuda. O suicídio é um fenômeno complexo influenciado por fatores sociais, pessoais, biológicos e conjunturais. O comportamento suicida carrega uma ambivalência sobre a vontade de morrer e, muitas vezes, ocorre em um momento de uma crise conjuntural (perda de um emprego, separação conjugal ou a perda de um ente querido, por exemplo). A maior parte das pessoas que cometem o ato suicida o faz de maneira impulsiva.

A OMS propõe que as estratégias de prevenção ao suicídio contemplem quatro níveis de intervenções para uma política de prevenção nacional: 1) social, 2) comunitário, 3) interpessoal e 4) individual. Embora os esforços de prevenção do suicídio no Brasil estejam em desenvolvimento, é possível reconhecermos esses níveis para pensarmos em uma estratégia de prevenção no contexto do STJ.

Em nível social mais amplo é importante o controle do acesso aos meios de suicídio (armas de fogo, venenos, medicamentos perigosos, pontes, janelas altas, etc.), o zelo com as informações partilhadas nas mídias visando uma abordagem responsável sobre o tema e evitar o sensacionalismo. A redução do estigma e do preconceito para abordar o tema é fundamental para proporcionar ambientes favoráveis à busca de ajuda por aqueles que sofrem.

Em nível de uma comunidade é importante a atenção aos estressores por comportamentos violentos e conflitivos (crise econômica, desemprego, violência urbana, desastres, entre outros) e às condutas discriminatórias. A diminuição desses contextos violentos tem uma correlação positiva com a diminuição das chances de suicídio entre os indivíduos de uma população. As condutas discriminatórias, especialmente contra minorias sociais, precisam ser tratadas de maneira a evitar sofrimentos.

O terceiro nível proposto pela OMS é o interpessoal. É importante atentar para o sentimento de isolamento e a falta de apoio social, conflitos relacionais no círculo social mais íntimo e perdas de pessoas importantes. Pessoas que partilham relacionamentos próximos, pessoais e duradouros geralmente têm um sentimento de propósito, segurança e de conexão que serve como fator protetor para esses estressores.

O último nível é o individual e consiste em oferecer e priorizar o tratamento de transtornos mentais e da dor crônica, atenção ao histórico de suicídio na família e tentativas anteriores de suicídio. Alguns sinais de alerta importantes são: ideação suicida, busca de formas de suicídio na internet, acesso aos meios para suicídio, relato de plano suicida, machucados auto-infligidos e condutas que imponham risco de vida (para saber mais acesse o link “Precisamos Falar sobre Suicídio 2016”).

O ambiente corporativo tem sido apresentado como um espaço importante de prevenção, considerando o tempo que as pessoas permanecem trabalhando e a qualidade dos relacionamentos entre os colegas de trabalho.

Um modelo interessante de prevenção do suicídio no ambiente corporativo é a experiência australiana Mates in Construction (Companheiros em Construção, em tradução livre). Além de campanhas para esclarecimento sobre o suicídio, os trabalhadores também foram estimulados a se comprometerem a cuidar dos companheiros, caso percebessem a situação de ideação e/ou comportamentos suicidas, e encaminhá-los para os serviços de assistência médica. Um programa semelhante no Canadá conseguiu reduzir em 79% os índices de suicídio entre os policiais de Montreal. (para saber mais clique aqui).

Considerar o espaço de trabalho como um lugar de cuidado e prevenção do suicídio é um passo importante para viabilizarmos a assistência necessária para as pessoas em sofrimento. Prevenir o suicídio no STJ é uma responsabilidade de todos nós.

Isso passa por reduzir os estigmas, o preconceito e a discriminação com pessoas que apresentaram comportamentos suicidas e construir um espaço de conversa sobre o tema. Contribuímos, assim, para evitar o sentimento de isolamento social e viabilizar condições para que a pessoa possa ser encaminhada para um acompanhamento especializado.

O STJ conta, de maneira geral, com um ambiente de trabalho permeado por bons relacionamentos entre os colaboradores, o que é um fator protetivo importante na prevenção do suicídio. Além disso, esses bons relacionamentos no trabalho também permitem melhores condições para que as pessoas abordem o tema com um colega, se necessário. Constatando que um colega está tendo comportamentos suicidas é fundamental que ele tenha a atenção profissional adequada.

É possível encaminhar um colega que esteja passando por essa situação para o Serviço de Saúde para uma avaliação profissional do caso contando com uma equipe de médicos, enfermeiras, psicólogos e assistentes sociais para realizarem a assistência necessária. Basta solicitar o atendimento médico na recepção da Secretaria de Saúde. É necessário o esforço de todos para que, agindo de maneira integrada, possamos superar juntos o comportamento suicida.

Entre em contato

Você, que é servidor do Superior Tribunal de Justiça, pode buscar ajuda da Seção de Assistência Psicossocial (SEAPS). Mande um e-mail para saude.mental@stj.jus.br e entraremos em contato.

Saiba Mais

Leia o texto Precisamos falar sobre suicídio, publicado em 2016 no Portal EaD STJ e assista ao vídeo abaixo, entrevista com o presidente da Associação de Psiquiatria da América Latina (APAL) e o psiquiatria do STJ, Eduardo de Sá Oliveira:

Referências:

Mishara BL, Martin N. Effects of a comprehensive police suicide prevention program. Crisis. 2011;33(3):162−8

Kinchin, I., & Doran, C. M. (2017). The Economic Cost of Suicide and Non-Fatal Suicide Behavior in the Australian Workforce and the Potential Impact of a Workplace Suicide Prevention Strategy. International Journal of Environmental Research and Public Health, 14(4), 347. http://doi.org/10.3390/ijerph14040347

Mann JJ, Apter A, Bertolote J, Beautrais A, Currier D, Haas A, Hegerl U, Lonnqvist J, Malone K, Marusic A, Mehlum L, Patton G, Phillips M, Rutz W, Rihmer Z, Schmidtke A, Shaffer D, Silverman M, Takahashi Y, Varnik A, Wasserman D, Yip P, Hendin H

JAMA. 2005 Oct 26; 294(16):2064-74.

Texto: Seção de Assistência Psicossocial (SEAPS/SIS/STJ)
Colaboradores: Juliana Bernardes de Faria (SEADI/STJ) e Catarina Nogueira França Rêgo (Revisão)
Responsável pelo projeto: Camilla Ferreira de Lima (SEADI STJ)
Arte: Murilo Maia Carvalho/SEADI STJ (design gráfico/web)
Ícones: FreePik/Vecteezy

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